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Projeto Interfaces

APRESENTAÇÃO E JUSTIFICATIVA DA PROPOSTA

Em meados da década de 2000, em Curitiba, verifica-se a presença de algumas iniciativas de artistas que através de ações colaborativas viabilizaram projetos de ocupação e reelaboração de espaços voltados à pesquisa, ao relacionamento, à criação e difusão de ações processuais abertas e participativas. Inserida neste cenário está a Orquestra Organismo, um grupo de artistas interdisciplinares que dentre seus variados fluxos empenham-se em refletir os impactos do desenvolvimento tecnológico sobre a sociedade, vivenciando a cultura digital, seja ao atuar pelos seus meios - como a Internet - ou na investigação dos seus recursos - como os hardwares e softwares livres.

O projeto Interfaces é uma iniciativa do Coletivo Orquestra Organismo, almeja em um primeiro momento pesquisar possibilidades de elaboração de objetos (Interfaces) que possibilitarão experiências sensoriais e audiovisuais nas ações presenciais previstas para o período da exposição. Tais objetos mesclam procedimentos plásticos e artesanais, tais como escultura, marcenaria e luthieria, aos da ciência da computação e da eletrônica (programação, sensores e hardwares dedicados). Estes objetos usam a tecnologia de softwares e hardwares livres para resgatar o aspecto táctil e não condicionado a elementos derivados de produções industriais (reciclagem industrial). Propõem problematizar às Artes os materiais e conhecimentos tecnológicos, bem como seus procedimentos criativos que, apesar de estarem discriminados ao campo “técnico”, são matérias-primas com enorme potencial poético.

Em um segundo momento está a realização de uma ação poética presencial (ritual) no espaço ofertado pela Fundação durante o período da exposição (ver cronograma). Esta ação, de modo aberto e participativo, pretende propiciar ao público o contato direto, face a face, com os integrantes do grupo Orquestra Organismo, compreendendo assim seu modo de trabalho e oportunizando uma rede trocas de conhecimentos que prima pelo caráter processual, relacional e vivencial das experiências a serem realizadas in loco com os objetos previamente construídos.

Ainda como parte do projeto Interfaces, há o processo poético documental de todo processo, culminando em um conjunto de dados que mescla áudio, video, imagens fotográficas, grafismos e textos, que serão expostos durante a exposição e também publicados em sítio próprio a ser construído ao longo de todo o projeto http://www.organismo.art.br/interfaces.

Os objetivos do presente projeto são:

1)Criar objetos que possibilitem percepções espaciais, sonoras, corpóreas nas ações ritualísticas previstas para a exposição, fazendo com que o desenvolvimento plástico, simbólico, tecnológico, documental e vivencial andem juntos; e, ao mesmo tempo, trazendo para o campo poético e relacional a possibilidade de pensar as máquinas que nos cercam hoje, como ferramentas criadas por seres humanos e que contribuem na formatação da linguagem, das relações sociais e da cultura;
2)Estimular entre os artistas e comunidade o uso de tecnologias livres, posto que softwares e hardwares livres são hoje no mundo todo maneiras de compartilhar conhecimentos relevantes que até então eram vistos como “segredos industriais”. Desta maneira, proporcionando novas experiências e reflexões sobre a relação entre homem e máquina, a possibilidade do jogo e da brincadeira do artístico;
3)Propiciar o encontro entre público e artistas envolvidos em um espaço institucional, refletindo sobre novos modos que ocupação e práticas nos circuitos oficiais de arte;
4)Criar e repensar métodos e formas de documentação poética geradas durante ações processuais e acontecimentos artísticos, bem como a interelação das diferentes linguagens, suportes e meios .
Interfaces pretende pensar e fazer as formas de atuação nos circuitos das artes. Com ênfase no processo, dá abertura à experimentação, sensorialidade, gestualidade e percepções do espaço expositivo. Visa também, refletir a relação do homem com a tecnologia e com os objetos que o cercam, possibilitando ainda o compartilhamento e trocas de conhecimentos entre as pessoas que vierem a colaborar na ação. Nesta perspectiva torna-se possível novos rituais e celebrações, onde a tecnologia é percebida na dimensão humana e onde potencializamos a recombinação de idéias poéticas, tirando destas idéias práticas de fomentar novas redes.
Este projeto será executado por membros da Orquestra Organismo, o qual é composto por Lúcio de Araújo , Glerm Soares , Lucida Sans (Simone Bittencourt) e Octávio Camargo, grupo multidisciplinar com experiência em arte, música, teatro e ativismo em meios eletrônicos. Para maiores informações sobre o trabalho do coletivo, ver currículos e portfolio em anexo.
As formas de atuação dos artistas comprometidos neste projeto, as situações por eles inventadas e métodos praticados fornecem material para detectar relações e peculiaridades com outros grupos e comunidades. Essas iniciativas indicam uma vontade de dialogar com o mundo por questões próprias da contemponeidade. Para isso, desempenham esforços na construção de um ambiente em constante remodelação, um circuito próprio e interdependente, onde é possível agir com maior autonomia e liberdade.

Contrapartida

A cada semana da exposição, a Orquestra Organismo se compromete a ocupar presencialmente o espaço expositivo por dois dias da semana, em datas e horários a serem combinados junto à Fundação, do início ao término da mesma, com intuito de estabelecer trocas e contatos com o público, artistas e funcionários da Fundação, além de realizar e conduzir experimentações com as Interfaces criadas no espaço de exposição. Destas experiências, um novo leque de documentação será gerado, realimentando tanto a própria exposição, como o sítio virtual.
Conforme edital será doado um dos objetos (Interfaces) que comporão a exposição, mais uma cópia da documetanção disponível referente ao projeto, este em formato de mídia digital DVD.
Compromentemos também em participar em 01 (uma) mesa redonda para explanação do processo de trabalho, cujo local poderá ser definido pela Fundação Cultural de Curitiba.
O processo de todo projeto prima por um intercâmbio cultural com outros circuitos, também coloca uma perspectiva de construção de um saber e de um movimento artístico coletivo, moldado de maneira fluida através dos anos por vários artistas curitibanos com interação de muitos outros colaboradores, inclusive de outras redes, em troca direta com as possibilidades de interação remota propiciada pelos
aparatos tecnológicos de rede, a interação remota dos artistas curitibanos com outros circuitos nacionais e até internacionais, potencializados por redes de artistas e ativistas que atuam em circuitos interdependentes, como Upgrade Internacional (http://www.theupgrade.net/), Estúdio Livre (http://www.estudiolivre.org/), Descentro (http://www.pub.descentro.org/) e Surface Tension
(http://www.errantbodies.org/main.html), entre outros.

 

Confira o projeto em desenvolvimento em http://organismo.art.br/interfaces

 

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