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Caderno Submidiático #8 - Revista Submidialogia #3

---------- Mensagem encaminhada ----------

---------- Mensagem encaminhada ----------
From: "Tiago Bugarin"
To: g2g at lists.riseup.net
Date: Thu, 15 Nov 2007 04:41:09 -0200
Subject: Fala de Drica no IGF - esforço de tradução
Humilde licença para propagar minha voz aqui num espaço que tanto prezo mesmo que apenas de fora possa acompanhar. Na sequência vai meu esforço no quasi-arrebol de traduzir a fala de Drica no IGF Brasil 2007.
Devem haver muitas falhas na tradução mas é um começo.

Sem ser presunçoso, apenas tentando ser claro, fiquem a vontade para me descopiar dessa trédi, sem ofensas, mágoas ou qualquer outro rescentimento.

Trivia: é uma mulher quem lidera a equipe de desenvolvedores do Internet Archive!

Tiago Bugarin
PS. Eu amo vocês e vocês sabem quem vocês são. :) -- e dizer isso aqui é especial pra mim, vocês sabem.

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Políticas proibicionistas não funcionam porque vão contra um direito fundamental que é a liberdade de expressão.

Um exemplo local do Brasil é a criminalização do consumo de alguns tipos de drogas.

Proibição das drogas levou a um mercado paralelo no Brasil que trás consigo a violência e a corrupção.

O governo não pode controlar o tráfico de drogas. A polícia é ineficiênte e a população perde em dois aspectos: usuários não podem comprar com garantia de um controle de qualidade e o governo não coleta impostos.

Este é um problema sério no Brasil. E o que ele tem haver com a regulação de conteúdo na Internet?
Tudo, porque você tem que pensar sobre o assunto da perspectiva da não-proibição e da auto regulação.

Pornografia sempre esteve disponível e a Internet só facilita sua difusão, como qualquer outra coisa. Tecnologia é apenas o intermediário que torna isso possível.

Como você deve saber, o governo da ditadura militar restringiu a venda de computadores no Brasil no início da década de 1980. Nào era possível encotrar muitos computadores no Brasil enquanto em outros países da América Latina, como o Peru, pessoas tinham maior acesso à Internet e à cibercultura. Nos anos 1990, a maioria dos computadores no Brasil foram importados com altos impostos.

Assim apenas a classe rica teve acesso a computadores e a cibercultura. No novo século todos começaram a falar sobre 'inclusão digital'. Pessoalmente eu não gosto deste conceito e prefiro usar a idéia de fenda digital.

O conceito de inclusão digital trás uma idéia de salvação. Como se os ativistas da classe média tivesse que salvar a população excluída. E este tipo de trabalho é feito de cima para baixo e de maneira muito patriarcal. Você tem outras pessoas decidindo o que é melhor para você, que conteúdo é nocivo ou não.

Pessoas que acessam computadores públicos em telecentros, infocentros ou em Pontos de Cultura no Brasil, maioria resultados de políticas públicas de inclusão digital não podem acessar conteúdo pornô. Os interesses dos usuários finais não é respeitado porque este tipo de políticas são de cima para baixo e quer salvar pessoas de suas supostas ignorância digital. Assim a oportunidade para auto regulação e julgamento crítico não é respeitado, ou encorajado.

Ao mesmo tempo que essas pessoas não podem acessar pornografia em computadores públicos, se você ligar uma TV, ou for ao uma banca de jornal você encontrará "grupos vulneráveis" expostos como se fossem animais à venda.

A hipocrisia é tão grande que a maior apresentadora da televisão brasileira para crianças já foi uma estrela pornô. E ela se veste e às crianças com roupas curtas e dançam provocativamente na programação matutina. E isso é considerado aceitável, como maior parte da propaganda de cerveja que vende loiras geladas. Uma associação entre o consumo de cerveja e o consumo de mulheres.

O controle/regulação do acesso a conteúdo sexual em computadores públicos alarga a fenda digital que já existe.

A fenda digital cria uma elite tecnológica que irá decidir por outros como a Internet será governada. E essa elite são os donos das companias de mídia, que decidem que tipo de conteúdo é transmitido, são pessoas como nós que temos um espaço privilegiado para falar, são políticos que decidem e votam as leis. Claro que há conteúdo ofensivo na Web. E acessar ou não este tipo de conteúdo fica a cargo dos indivíduos.

Ao mesmo tempo a internet abre possibilidades para formas oprimidas de expressão e identidades.

A questão é: irão essas formas oprimidas de expressão ser ouvidas por essa elite tecnologica?

Minha aspiração como uma usuária final e educadora é de promover um debate sobre auto regulação com os usuários finais de computadores públicos sob uma perspectiva não-proibicionista.

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